A R T E S   L I T E R Á R I A S

    

A Literatura, como toda arte, é uma transfiguração do real, é a realidade recriada através do espírito do artista e retransmitida através da língua para as formas, que são os gêneros, e com os quais ela toma corpo e nova realidade. Passa, então, a viver outra vida, autônoma, independente do autor e da experiência de realidade de onde proveio.

 (Afrânio Coutinho, professor, escritor e crítico literário brasileiro)

Nas oficinas e na exposição monitorada de Artes Literárias, os docentes e artistas poderão trabalhar com as diversas práticas de oralidade, leitura e escrita. Nessas práticas estão incluídas a integração com as demais Linguagens Artísticas, a interpretação, a análise e a produção textual, considerando sempre que o texto é uma unidade discursiva. Esse texto pode estar organizado em diversos formatos e compreende o discurso enquanto eixo central, que está sempre carregado de sentidos para o autor e assume múltiplos significados de acordo com o leitor que o interpreta.

 A seguir, toma-se um fragmento das Diretrizes Curriculares de Língua Portuguesa para a Educação Básica que ilustra a concepção de Língua que será considerada no FERA.

[...] Pensar o ensino da Língua e Literatura implica pensar também as diferenças e contradições do quadro complexo da contemporaneidade. A rapidez das mudanças ocorridas no meio social e as inúmeras relações de poder presentes nas teias discursivas, que atravessam o campo social, constituindo-o e ao mesmo tempo sendo por ele constituídas, requerem do professor uma percepção crítica cujo horizonte é a mudança de posicionamento em sua ação pedagógica.[...]

[...] As Diretrizes ora propostas [...] consideram o processo dinâmico e histórico dos agentes na interação verbal, tanto na constituição social da linguagem quanto dos sujeitos que por meio dela interagem. [...]

[...] Há muitas teorias que discutem sobre a necessidade de formar um leitor crítico e os currículos de ensino confirmam esse objetivo. Mais que isso, porém, espera-se formar um leitor capaz de sentir e de expressar o que sentiu, com condições de reconhecer nas aulas de Literatura um envolvimento de subjetividades que se expressam pela tríade obra/autor/leitor, por meio de uma interação que está presente no ato de ler. De fato, trata-se da relação entre o leitor e a obra e nela a representação de mundo do autor que se confronta com a representação de mundo do leitor, no ato solitário da leitura. Com isso, pode dizer que a obra, também, constitui-se no momento da recepção. Aquele que lê amplia seu universo, mas também o universo da obra a partir da sua experiência cultural. [...]

Após todas essas reflexões, percebe-se a importância das oficinas e atividades culturais que envolvem as Artes Literárias no FERA. Com esse trabalho a ser realizado por meio de práticas pedagógicas diferenciadas, pretende-se contribuir para a formação de leitores mais interessados pela Língua e pela Literatura, pois entende-se que é na linguagem e por ela que o homem se reconhece humano, interage, troca experiências, entende a sua realidade e se percebe como participante da sociedade .  

Sobre a experiência de ser autor, Manoel de Barros nos convida a refletir...

Diz o poeta:

(...) No escrever o menino viu que era capaz de ser noviço, monge ou mendigo ao mesmo tempo. O menino aprendeu a usar as palavras. Viu que podia fazer peraltagens com as palavras. E começou a fazer peraltagens.

Foi capaz de interromper o vôo de um pássaro botando ponto no final da frase.

Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.

O menino fazia prodígios.

Até fez uma pedra dar flor!

A mãe reparava o menino com ternura .

A mãe falou:

Meu filho você vai ser poeta  (...)






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